IA
Por Equipe Nortix ·
“Você pratica esporte?” e “Você treinou nas últimas duas semanas?” são perguntas diferentes: dá para responder sim à primeira e não à segunda. Com a IA nas pequenas empresas do Brasil acontece algo parecido.
Na pesquisa do Sebrae com o Meta Instituto de Pesquisa (7.182 entrevistas, incluindo MEI, março a maio de 2026), 52% dos pequenos negócios disseram ter usado IA em alguma atividade do negócio nas duas semanas anteriores. Na TIC Empresas 2025, do Cetic.br, 15% das empresas de 10 a 49 pessoas ocupadas usaram algum tipo de IA.
Cada número responde à sua pergunta. Abaixo, os dois e um terceiro, lado a lado.
Três pesquisas recentes medem o uso de IA em pequenos negócios no Brasil, cada uma com a sua régua. Na tabela, cada número vem com a pergunta que o produziu, quem respondeu e quando.
| Sebrae/Meta 2026 | TIC Empresas 2025 (Cetic.br) | Sebrae/FGV/Google | |
|---|---|---|---|
| Número | 52% disseram ter usado IA nas duas semanas anteriores; 61%, nos seis meses anteriores | 15% nas empresas de 10 a 49 pessoas ocupadas; 17% no total das empresas com 10 ou mais | MPE: 46% disseram usar IA para apoiar as atividades do negócio; 15% marcaram “Utilizo com frequência” na pergunta de familiaridade |
| Pergunta | “Nas últimas DUAS SEMANAS, usou Inteligência Artificial em qualquer ATIVIDADE DO SEU negócio?”, com exemplos e uma definição ampla de IA lida ao entrevistado | Redação não divulgada nos materiais lidos | Uso: “A sua empresa utiliza alguma dessas ferramentas de inteligência artificial (IA) ou outras para apoiar as atividades do negócio?” Familiaridade: “A sua empresa está familiarizada com ferramentas de Inteligência Artificial, como ChatGPT, Gemini, entre outras?” |
| Janela de tempo | Duas semanas (seis meses, em outra pergunta) | Não consta nos materiais lidos | Nenhuma, nas duas perguntas |
| Quem foi perguntado | MEI, microempresas (ME) e empresas de pequeno porte (EPP); 7.182 entrevistas por telefone; erro amostral de 1,2% nos resultados gerais | Empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas; 4.174 respondentes, por telefone. A pergunta de IA só foi feita às que têm especialista, área ou departamento de TI, e o resultado sai sobre o total de empresas | Cerca de 5.000 empresas (médias e grandes, MPE e MEI), por telefone e WhatsApp; margem de erro e amostra por porte não informadas |
| Inclui MEI | Sim | Não | Sim, em coluna separada |
| Campo | 24/03 a 08/05/2026 | Fevereiro de 2025 a janeiro de 2026 | Setembro de 2025 |
| Publicação | Relatório de julho de 2026; divulgado pela Agência Sebrae em 17/08/2026 | Lançamento em 15/06/2026 | Relatório datado de 30/11/2025; Blog do IBRE em 28/01/2026 |
O primeiro é da TIC Empresas 2025: 15% das empresas de 10 a 49 pessoas ocupadas usaram algum tipo de IA em 2025, ante 10% em 2024. O 17% que acompanha esse número na mesma pesquisa é o total das empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas, e não o das pequenas.
O segundo é da sondagem do Sebrae com a FGV e o Google, de setembro de 2025. Perguntadas se a empresa está familiarizada com ferramentas de IA como ChatGPT e Gemini, 15% das MPE marcaram “Utilizo com frequência”; nas médias e grandes, 35%, e entre os MEI, a quem a pergunta é feita na pessoa do empreendedor, 18%. A pergunta não tem janela de tempo nem diz se o uso é no negócio: mede familiaridade, não frequência de uso na empresa.
Quando um “15%” aparecer sozinho, a primeira pergunta é de qual dos dois se trata.
As diferenças estão descritas nas próprias fontes. Cada uma explica uma parte da distância; nenhuma, sozinha, a explica inteira.
Quem entra na conta. A TIC começa em 10 pessoas ocupadas e deixa o MEI de fora; o Sebrae/Meta e a sondagem com a FGV incluem o MEI. O porte não fecha a conta sozinho: no Sebrae/Meta, o uso em duas semanas foi de 41% nos negócios sem empregados assalariados, 51% nos de 10 a 19 e 73% nos de 20 a 49. A contagem é outra, empregados assalariados e não pessoas ocupadas, e ainda assim a distância para o 15% da TIC continua grande.
Quem respondeu, na TIC. As tabelas da pesquisa trazem uma nota: “Este indicador foi coletado somente entre as empresas que possuem especialistas, área ou departamento de TI.” E completam: “Para fins de divulgação, são apresentados os resultados pelo total de empresas.” A nota não diz quantas empresas têm área de TI, e este texto não estima o efeito dela.
A janela. O Sebrae/Meta pergunta pelas duas últimas semanas; em outra pergunta, sobre os seis meses anteriores, o número sobe para 61%. As duas perguntas da sondagem com a FGV não têm janela de tempo, e a da TIC não consta nos materiais que lemos.
O que conta como IA. O Sebrae/Meta lê ao entrevistado uma definição ampla, que começa por “Aplicativos e softwares capazes de executar tarefas complexas” e cita exemplos como processar imagens e fazer análise de dados. A sondagem com a FGV cita ChatGPT e Gemini, e o próprio relatório descreve o uso como de “ChatGPT, Gemini e afins (IA generativa)”.
Usar, conhecer, usar com frequência. A sondagem com a FGV mostra a régua mudando o número dentro de uma pesquisa só. Entre as MPE, 96% se disseram familiarizadas com ferramentas como ChatGPT e Gemini (marcaram qualquer opção menos “Nunca ouvi falar”), 46% disseram usar IA para apoiar as atividades do negócio, e 15% marcaram “Utilizo com frequência”.
Quando se perguntou. Os campos foram em setembro de 2025 (FGV), de fevereiro de 2025 a janeiro de 2026 (TIC) e de março a maio de 2026 (Sebrae/Meta). Nas três, a resposta é declarada pelo entrevistado.
Daqui em diante, o texto é leitura da Nortix. Nenhuma das três pesquisas diz que a distância entre os números é a distância entre usar e implementar IA; é assim que nós lemos os dados.
O que as fontes mostram chega perto. No Sebrae/Meta, entre os pequenos negócios que usaram IA nos seis meses anteriores, 33% disseram não ter feito nenhuma mudança para usar IA, e 46% disseram ter desenvolvido novos fluxos de trabalho (outro 46%, não o da FGV). Na mesma base, pela tabulação da pesquisa, 43,0% não marcaram nenhuma das três ações sobre tarefas listadas no questionário; das três, a mais citada foi aprimorar uma tarefa feita por um funcionário, com 32,5%.
Na TIC, que olha empresas com 10 ou mais pessoas ocupadas, o resumo executivo descreve “o uso de soluções prontas, com pouco desenvolvimento interno de aplicações”. Solução pronta não quer dizer uso raso: a fonte fala de como a IA foi adquirida, não de quanto ela mudou o trabalho. Segundo o release do CGI.br, o coordenador da pesquisa, Leonardo Melo Lins, avaliou que o aumento do uso de IA “pode ser entendido mais como uma adaptação dos processos das empresas”.
Na nossa leitura, as pesquisas contam quantas empresas usam IA. Implementar é outra medida: a IA entra numa tarefa definida, de uma área, com alguém que responde por ela e um jeito de saber se o trabalho mudou. Uma empresa pode estar entre os 52% sem ter mudado nada no jeito de trabalhar, e isso não é falha de ninguém; é o ponto de partida.
É na passagem do uso para a tarefa redesenhada que gestão e IA se cruzam e, na nossa leitura, é ali que a IA pode começar a pesar em venda, atendimento e caixa, e não só no tempo de quem a usa. É o trabalho da Nortix: implementação de IA e geração de receita para PMEs.
Na Nortix, a pergunta deixa de ser se a empresa usa IA e passa a ser em que tarefa, de que área e com que efeito. O ciclo tem quatro etapas e roda dentro de cada área da empresa. O Raio-X de Processos mapeia por onde cada tarefa passa e quem a toca, e a Matriz de Priorização pesa impacto contra esforço.
Depois vem a Validação com o Fundador, porque decidir o que muda na empresa é decisão dele. Por fim, Implementação e Retorno, em que o retorno se conta como economia de custo mais receita potencial. A gente faz isso com o fundador, não por ele; o passo a passo está no nosso guia sobre como implementar IA na empresa.
Dá para começar sem contratar ninguém, numa conversa curta com quem responde por cada área. A ideia é fazer à empresa as perguntas que as pesquisas fazem, mais uma que só ela pode responder.
Se a lista do item 2 for curta e a resposta do item 3 for “nada”, a empresa está onde estão os 33% do Sebrae/Meta que usaram IA sem mudar nada para isso. É dali que se escolhe a primeira tarefa para implementar.
Para quem vai citar um desses números, a regra é levar junto a pergunta, o universo e a data de campo. A tabela acima foi feita para isso.
Depende da pergunta. Na pesquisa Sebrae/Meta (MEI incluídos, campo de março a maio de 2026), 52% disseram ter usado IA em alguma atividade do negócio nas duas semanas anteriores. Na TIC Empresas 2025, 15% das empresas de 10 a 49 pessoas ocupadas usaram algum tipo de IA. Na sondagem Sebrae/FGV/Google de setembro de 2025, 46% das MPE disseram usar IA para apoiar as atividades do negócio.
Na comparação do Sebrae/Meta, 52% dos pequenos negócios brasileiros e 21% das empresas americanas disseram ter usado IA nas duas semanas anteriores. A base americana, da pesquisa BTOS do U.S. Census Bureau, reúne empresas de todos os portes, na quinzena terminada em 31/05/2026, e os períodos não coincidem. Não é uma comparação de porte igual com porte igual.
Entre os pequenos negócios que usaram IA nos seis meses anteriores, o relatório Sebrae/Meta registra que em 90% não houve mudança no número de funcionários por causa da IA; em 5% ele diminuiu, e em 3% aumentou. Pela tabulação, entre os que usaram IA nos seis meses anteriores, 17,6% a usaram para substituir uma tarefa antes feita por um funcionário, e, desses, 55,5% falaram em “um pequeno número” de tarefas; entre os mesmos negócios, a ação mais citada das três foi aprimorar uma tarefa (32,5%). Para a Nortix, a IA substitui tarefa, não substitui direção.
Na sondagem Sebrae/FGV/Google (setembro de 2025), entre as empresas que disseram usar IA no negócio, a finalidade mais citada foi marketing e divulgação: 74% dos MEI e 59% das MPE. A sondagem não define MPE, e MPE não é o mesmo que microempresa. São finalidades entre quem usa, não taxas de uso.
No Sebrae/Meta, entre os pequenos negócios que não pretendem usar IA nos seis meses seguintes, o motivo mais citado foi a falta de conhecimento sobre as capacidades da IA (38%). Na sondagem Sebrae/FGV/Google, a dificuldade mais citada pelos MEI foi “não saber como aplicar no negócio” (23%); entre as MPE, a resposta mais frequente foi “nenhuma dificuldade” (30%).